Temporal pára Rio de Janeiro que mergulha em grande caos

7 04 2010

Forte chuva faz Cidade Maravilhosa enfrentar colapso urbano

Região da Tijuca - Passei próximo daí antes da chuva.

Então, pessoas! Eu estava justamente na rua na hora em que tudo aconteceu. Quase surtei, pois estava saindo de uma região que alaga total e que não conheço totalmente, além dos caminhos que é fato que enchem. Graças a Deus consegui sair da região da Tijuca (um bacião. Para ilustrar arredores da Praça da Bandeira. Carros ficam de água no teto) em tempo. Corri tudo o que pude para fugir dali. Mas peguei a chuva forte passando pelo Maracanã e Metrô São Cristóvão.

Radial Oeste. Carros são perdidos na região da Praça da Bandeira

Conclusão. Os dois caminhos que eu tinha que seguir por dentro dos bairros, para não pegar Av. Brasil – que pára quando chove –, estavam inundados. Num desses ao fugir de um alagamento, acabei passando por um bolsão grande d`água. O carro enfrentou ali, água no pára-choque por uns segundos. Isso foi na subida de um viaduto. Que logo descobri estar intransponível à frente, bandalhei o viaduto e saí. Parei num posto mais adiante e o frentista me falou que eu poderia seguir a rua que daria na Av. Brasil (diante de tudo resolvi encarar a Brasil. Única solução onde eu estava), que naquele momento ainda não estaria cheio.

Fui. O trânsito começou a parar e água a subir rapidamente. Moral da história, quando consegui ir adiante, água no pára-choque de novo, só deu para jogar para uma rua alta e sair correndo dali. Minutos depois neste ponto, a água já estava batendo no primeiro degrau dos ônibus e eu fiquei presa na rua alta.

Foi mais ou menos 1h e pouquinha que fiquei ali, ilhada junto com mais

Rocha Miranda Zona Norte do Rio

 motoristas que fugiam do tormento. Por sorte um abençoado apareceu indo p mesma direção que eu, e resolveu arriscar um caminho alternativo, pela tal rua alta.  Eu estava aflita, pois, logo nos primeiros minutos havia perguntado a uma senhora que passava, como estava a situação da água mais à frente. Ela havia vindo de lá. A mesma me disse que a água batia no acima do joelho dela.

Ela tinha por volta de 1,60m, logo, calculo que a altura da calamidade seria de aproximadamente 1m nas partes mais altas e maior nas partes mais baixas da rua. Para piorar a mesma me deu um conselho: – Filha fica dentro do carro de janela fechada, porque aqui é fóda! Ainda bem, que outros carros foram chegando ali e alguns funcionários de uma empresa ficaram na rua também, e deu uma movimentada. Detalhe eu estava sozinha.

Enfim, saí de lá e fui tentar chegar à Brasil, que dali de onde eu estava, distava-se apenas duas quadras, bloqueadas pela enxurrada aquática. Moral da história 2, depois de algumas contramãos, cheguei na Av. Brasil. Mas infelizmente os problemas não acabaram.

Portão 19 do Estádio Maracanã. Irreconhecível!

Segui, pela via expressa, até que começaram poças que quase atingiam a metade da roda. Ok, eu ainda via os canos de descarga dos carros à frente. Até que na altura da Fiocruz, deparei-me com um piscinão, onde os carros que atravessaram eu não enxergava a roda, só a água. Ali, havia uma agulha para pista do meio, mais baixa que onde eu estava. Olhei, rezei, pedi passagem e lancei o carro quase que numa manobra à 90º de onde eu estava. Passei rápido e segui. Poça vencida!

A frente, água e mais água e mais água. A maior parte da pista do meio da Brasil, só dava para passar pela faixa esquerda e pela seletiva.  Com medo dos radares ainda passei num pedaço com metade do carro na seletiva e metade na esquerda. Pois era o único jeito de não mergulhar o auto.

Perdi até a agulha que eu devia pegar, porque não dava para ver com a água. Ao fim, fiquei pelo menos umas duas horas estacionada numa calçada alta, junto de vários outros motoristas, pois já quase na casa onde eu iria ficar – não consegui chegar na minha na Zona Oeste do Rio – a Av. Brasil parou totalmente e não tinha como seguir.

Isso sem falar que tive que dirigir com a cabeça para fora em muitas partes,

Rio de Janeiro vira um Rio de forte correnteza.

meu carro molhou todo, pois não pude fechar as janelas. A do carona ficou a meio vidro e a do motorista quase constantemente aberta. Nem o ventinho ajudava a desembaçar a chuva gelada no pára-brisa. Eu não tinha visão de retrovisores. NADA! E meu carro é lacrado no insul-film. Imaginem só!

Ainda bem que existe gente solidária nesse planeta. Eu saí cedo de casa e na volta tudo isso aconteceu. Eu não tinha comido nada, além do almoço, estava azul de fome e ganhei biscoito e por pouco um Red Bull quente de um motorista que nem sei o nome. Rs! Conheci ainda um senhor aficionado por Gol Quadrado, com quem troquei muitas figurinhas. É nessas situações que vemos que ainda existe gente de bem!

Agora, governantes do Rio de Janeiro, já está mais do que na hora de campanhas educativas sobre descarte de lixo. Lugar de sofá e afins não é dentro dos valões/rios da Cidade. Passou da hora de rever o sistema de esgoto e pluviais. Está mais do que na hora de pensar a estrutura da cidade, enquanto um bloco de cimento e asfalto. Com certeza se nos morros e encostas houvesse mais árvores, isso não chegaria ao ponto calamitoso em que chegou. O mundo está mudando!

Áreas pobres sofrem com o caos da chuva

Fotos: Portal G1 e Extra Online

http://g1.globo.com/VCnoG1/0,,MUL1557947-8491,00.html

http://g1.globo.com/VCnoG1/0,,MUL1557947-8491,00.html


Ações

Information

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s




%d bloggers like this: